quinta-feira, junho 29, 2017
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A malandragem Brasileira se assemelha ao Coiote que, faminto come o próprio pé!

Tenho me perguntado o que fazer com a malandragem Brasileira.

Ela já foi quase um Patrimônio, nos orgulhávamos dela! Mas nos últimos tempos ela tem se transformado em um problema, sobretudo para quem tem negócios digitais.

A explicação disso pode estar na história ( sim, com H ) :

Em 1936, o historiador Sérgio Buarque de Holanda dedicou um dos capítulos do seu livro Raízes do Brasil ao estudo do chamado “homem cordial”, termo usado então para tentar explicar o caráter do brasileiro. Um dos traços do brasileiro cordial era, segundo o historiador, a propensão para sobrepor as relações familiares e pessoais às relações profissionais ou públicas. O brasileiro, de certa forma, tenderia a rejeitar a impessoalidade de sistemas administrativos em que o todo é mais importante do que o indivíduo. Daí a dificuldade de encontrar homens públicos que respeitem a separação entre o público e o privado e que ponham os interesses do Estado acima das amizades.

Para diversos pesquisadores, isso se explicaria pelo fato de que, durante boa parte da colonização do país, o Estado se confundia com a figura do senhor de engenho, do fazendeiro de café e, anteriormente, com os próprios donatários das capitanias hereditárias. Ou seja: a decisão sobre a vida e a morte de um escravo, por exemplo, era uma decisão de cunho tão privado como a escolha do mobiliário da fazenda pelo senhor e sua família, cuja autoridade estava acima de qualquer outra lei.

Talvez por isso, quando a amizade e o jeitinho não funcionam, é normal ouvir-se um ríspido e autoritário “Você sabe com quem está falando?”, como diz o antropólogo Roberto DaMatta.

Em seu livro Carnavais, Malandros e Heróis, o antropólogo descreve o dilema herdado pelo brasileiro. De um lado, nos submetemos a um sistema de leis impessoais cuja obediência nos países ricos nos causa inveja e admiração. Internamente, contudo, encaramos essas leis como uma espécie de estraga-prazeres – e os burocratas, sabendo disso, parecem muitas vezes aplicá-las para dificultar a vida do cidadão. De outro lado, existiria o sistema da nossa “rede de contatos”, em que impera o parentesco, a amizade ou qualquer ligação pessoal que drible a lei. Trocando em miúdos: a lei é vista – e muitas vezes aplicada – como um castigo e para fugir desse castigo vale a malandragem, o jeitinho. – Rodrigo Cavalcante para Revista Super Interessante .

TERRITÓRIO DIGITAL É A CASA DO MALANDRO

No mundo digital , talvez as nossas leis tenham ajudado a Malandragem instituída.coiote

Case 1: Quem compra online, pode devolver o produto em até 7 dias, sem represália do lojista digital – por quê? Porque ele não viu o produto !  Justo? Justo.

Realidade Brasileira: Quem vende moda sabe,  pelo menos 20% das devoluções de produtos são feitas de má fé! Os produtos são devolvidos nitidamente usados – ou seja – o comprador usufruiu do produto e depois, usando a lei, obteve seu dinheiro de volta!

Ele tá feliz? Sim! Conseguiu seu objetivo. Usou o produto e não pagou nada por isso!

O que esse babaca , deselegante e malandrinho na essencia não entende é que; esses produtos não podem ser revendidos, e é claro entram como custo, esse custo é incrementado ao preço, e é lógico quem paga isso é o consumidor ou seja ELE MESMO! Não nessa compra, mas em outras!

 

Case 2 – Serviço de vagas especifico para e-Commerce, se desdobra para oferecer serviços com o menor preço de assinatura, afinal o candidato esta à procura de emprego!

Realidade Brasileira : Candidato faz a inscrição paga o pacote ( com boleto) libera o serviço participa de processos seletivos , pesquisa vagas e  depois de tudo isso pede cancelamento. Quando indagado porque esta pedindo o cancelamento e seu dinheiro de volta ele responde – Porque eu posso!

Ele esta feliz? Sim! Seu objetivo foi alcançado! Mandou os CVs e não pagou nada! Uhú.

O que esse deselegante, idiota, malandrinho não sabe? Não sabe que ele foi monitorado, que todos os seus passos no site foram gravados, e que apesar da lei dizer que ele vai ter o seu dinheiro de volta , seu nome entrou em um black list, ele nunca mais entrará em processo nenhum nesse portal, e todas as empresas que ele se candidatou receberão uma análise do seu comportamento.

 

Case 3:  Produto comprado pela internet, é  pago com cartão,  produto é entregue, após 40 dias loja virtual recebe aviso do cartão : CLIENTE NÃO RECONHECE COMPRA ! Como? Ele recebeu!   Quem recebeu não foi ele, o endereço não é dele, existe uma inconsistência no numero dos documentos do comprador e o dono do cartão…

É o famoso Charge Back  ( existem várias categorias de charge-back  – Leia Mais Aqui)

Realidade Brasileira : O malandrinho tá feliz? Claro que esta!  ficou com o produto e não pagou nada por isso!

O que ele não sabe ?  não poderá aplicar esse golpezinho outra vez , os cartões estão monitorando, e essa loja virtual também ! Ninguém fala sobre isso, mas ele entrou numa black list de suspeita de fraude… terá dificuldades de comprar online em outros sites.

coiote 2O grande prejudicado? O malandrinho, e adjacências e o Negócio Digital Brasileiro

Sabe, é possível que “as leis” justifiquem e até incentivem a malandragem Brasileira, mas o que os Brasileiros malandrinhos não percebem que quem paga essa conta é SEMPRE ELE.

Os custos ficam maiores, não receberá produtos na sua casa, não conseguirá participar de processos seletivos…

Mas, malandro que é malandro vai ver vantagem nisso e dizer.. – Ah.. pelo menos não paguei por nada disso! Foi “de grátis” e se a leia de Gerson imperar , por muito mais tempo e com a maioria das pessoas, eu realmente não vejo mais esperanças  – Jogo minha toalha!  Precisamos ser Recolonizados!

 

*Não sabe o que é a lei de Gerson?

O meio-campista Gérson ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de Gérson: “O importante é levar vantagem em tudo, certo?” – frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito. A lei de Gérson pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar nossa brasileira condição gersoniana. Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo? ( Assista o vídeo )

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E-commerce Girl
Solange Oliveira é especialista em e-commerce, tem 20 anos de experiência em T.I. e já operou os maiores e melhores e-commerces da America Latina. E-commerce Girl como é conhecida no twitter e Facebook, participa de palestras e cursos no Brasil e Europa. É apaixonada por tecnologia e louca por e-commerce. Sócia da e-Vision Consulting , e-Vision Vagas Encontre Solange em (11) 2424-9635 ou no Skype : solange_evision
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