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Entre a Estação Consolação e a Estação Santana…

Hoje eu tinha uma reunião na Zona Norte , mais precisamente em Santana.
Não imaginei que pudesse mexer tanto comigo um passeio de Metro pela linha Azul.

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espelhoHoje eu tinha uma reunião na Zona Norte , mais precisamente em Santana.

Não imaginei que pudesse mexer tanto comigo um passeio de Metrô pela linha Azul.

 

Para quem não conhece, São Paulo é um cidade que merecia mais linhas de Metro, mas o que temos é muito bom. Limpo,

rápido e nos horarios adequados chega a ser prazeroso.

Há anos não andava de Metrô.

Confesso que praguejei um pouco quando vi o endereço da reunião – ZONA NORTE?? (Estou em um escritório esquina com a Av.Paulista.)

Não faria sentido nenhum ir de carro – decidi – Vou de Metrô!

Logo que peguei o bilhete pareceu que fui Tele- transportada para 1994.

Eu estudava e trabalhava na Liberdade e morava na Zona Norte, e meu mundo era o Metrô! E tudo que acontecia a minha volta estava perto de uma estação de Metrô. Nessa época a Estação Terminal era Santana!

Minha aula terminava as 23h30, hoje as aulas não passam das 22h30.

Eu subia correndo a São Joaquim ( é uma ladeira digna de penitente), porque o ultimo metrô passava as 23h45, se perdesse esse  só indo a pé até a Praça da Sé pegando mais 3 ônibus até chegar em casa – o que também não era uma garantia pois acreditem : algumas linhas paravam de circular a meia noite!

Eu corria o tempo todo! Corria para chegar na aula, para chegar no trabalho, para voltar pra casa.. Sempre correndo! De uniforme, que tinha um sapatinho medonho que machucava horrores o meu calcanhar, e um monte livros – hoje fico pensando que os professores eram um pouco sádicos… Havia dias que eu levava 2 cadernos e mais uns 4 livros!!

Chegava à estação bufando… o Seba ( Sebastião – guardinha do Metrô ) que sabia que eu vinha correndo gentilmente esperava 1 ou 2 minutos para abaixar a porta de aço, Ufa! Deu tempo, mas a maratona ainda não tinha acabado…

Sentava sempre no ultimo vagão – ninguém ao meu lado e curiosamente eu não tinha medo! Hoje pareço um ser frágil andando na rua, com medo das pessoas, dos espirros, dos esbarrões!

Eu precisava do lugar ao lado vago – pra espalhar os livros – Era a hora de fazer o dever de casa – e Nossa. como tinha dever!!!!  Minha divisão de atividades era: até a Sé, revisar a matéria, até Estação Tietê ordenar os exercícios  ( minha primeira faculdade foi Matemática ).

Os olhos fechando… A barriga roncando… E eu ainda à 1 hora de casa…

Hoje quando passei pela estação Tiradentes me lembrei do sonho de estudar na FATEC, que não se cumpriu! Passei na primeira fase, mas derrapei na segunda, para grande descontentamento do Sr.Pai da E-commerce Girl.

Era de graça e ótima – Ah. o sonho de estudar na FATEC, hoje passando  na Estação Tiradentes, o coração apertou, a boca secou, e eu quase chorei.

O trem balançando, o condutor anunciando a chegada das estações ( e é sempre incompreensível o que ele fala …)  e eu lá perdida nas lembranças dos meus dias no Metrô…

Estação Carandiru! Ué cadê aquele prédio horroroso que era a Penitenciária?  Meu Metro era o ultimo do dia, e poeticamente  eu levantava os olhos dos livros e olhava as janelinhas acesas no Cadeião… Recados escritos em lençóis, pendurados nas janelinhas; lembro de um que dizia – Aqui jaz o pecador!

Hoje fiquei surpresa – tem um parque no lugar! Ah é mesmo demoliram o Carandiru.. puxa, como tudo esta mudando, e eu lá no meu mundinho Zona Sul não percebi, ou se percebi atenção não dei!

Quando chegava a Santana não tinha jeito, tinha que descer porque era a ultima estação, mas perdi a conta de quantas vezes eu babando com a cabeça nos livros fui parar da Zona de Limpeza dos trens… e isso era um problema porque significava que eu tinha perdido o ultimo ônibus para minha casa… e já era mais de meia noite….Eu pensava.. .Ai, meu pai vai me matar!

Chegava em casa por volta de meia noite e quarenta e cinco, quantas vezes vi minha mãe me esperando na varanda… no sereno, com seu penhoar rosa com flores amarelas! Eu  descia correndo a rua, não sei como não caía… Hoje se eu der uma “carreira” dessas os joelhos não me deixarão andar no dia seguinte!

Subia, não sabia se tomava banho ou se comia… Ela ficava lá em silencio ao meu lado na mesa, acho que pra garantir se eu iria comer tudo, coisa de mãe, hoje eu sei!

E eu ia dormir, e no dia seguinte era tudo igual, e foi assim por mais 3 faculdades….

E hoje chegando a Santana, eu estava tão emocionada que me senti ridícula!

Passei na mesma ruinha onde eu esperava o ônibus, e subi poeticamente 4 quarteirões da  Avenida Voluntários da Pátria.

A reunião? Bem, ela não ocorreu – um problema impediu que a pessoa com quem eu iria me encontrar estivesse lá.

Tudo bem.

Já valeu para que lembrasse de onde eu  vim e como era simples e desafiadora aquela época.

 

E que cada passo que eu dei foi em direção para onde estou hoje!

stsep

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